| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Accipitriformes |
| Família: | Accipitridae |
| Vigors, 1824 | |
| Subfamília: | Accipitrininae |
| Vigors, 1824 | |
| Espécie: | H. harpyja |
O gavião-real é uma ave accipitriforme da família Accipitridae.
É conhecido também como gavião-de-penacho, guiraçu (uirá, guirá = ave, açu = grande), harpia e uiraçu, gavião-rei, gavião-gato, urucotim, uirácotim, ouiracú, gavião-pega-macaco, pega-macaco..
Embora não seja a maior das aves predadoras do planeta, é tida como a mais forte. Possui bico potente e suas garras são maiores que as do urso pardo americano, suas pernas têm a grossura de um punho de um homem adulto.
Tem um crescimento populacional muito lento. Este fato, associado à destruição de grandes áreas florestais e à caça indiscriminada, torna a espécie ameaçada de extinção em nosso País.
Projeto Gavião-real: Criado em 1997 pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com atividades de pesquisa, o projeto busca proteger o gavião-real de suas principais ameaças: a caça e o desmatamento. Projeto de Monitoramento do Gavião-real: Criado em 2012 pela Secretaria de Meio Ambiente de São Geraldo do Araguaia, o projeto busca proteger os ninhos de gavião-real mapeados na região com atividades de sensibilização ambiental e pesquisa. Projeto de Monitoramento de Harpia no Parque Nacional Serra da Bodoquena (PNSB) e entorno no âmbito das atividades da Fundação Neotrópica do Brasil (FNB), realiza, além de pesquisas, educação e sensibilização ambiental com as comunidades do entorno do PNSB.
A despeito do tamanho e da força, o gavião-real é frágil. Reza a lenda na floresta que a ave de garras afiadas ataca pessoas e come crianças, o que estimula a matança. O avanço da fronteira agrícola e da retirada de madeira para a venda é outro fator de risco, uma vez que a espécie precisa de grandes áreas preservadas para sobreviver e só entrelaça o ninho nas árvores mais ascendentes. Para resguardá-la, não resta outro caminho que não a conscientização.
Seu nome científico significa: do (latim) harpë = ave de rapina, provavelmente uma ave mítica, harpuiai harpias que era metade abutre e metade mulher. ⇒ Harpia - ave de rapina. Este nome na concepção original Vultur harpyja (Linaeus, 1758) é o segundo nome criado na nomenclatura aviária.
É uma águia enorme, sendo considerada a mais forte do planeta. É a maior ave de rapina brasileira! Mede entre 90 e 105 centímetros de comprimento e apresenta uma envergadura de mais de 200 centímetros. Ambos os sexos são semelhantes, mas a fêmea é bem maior. Seu peso varia entre 4 e 4,8 quilogramas para o indivíduo do sexo masculino e entre 7,6 e 9 quilogramas para indivíduos do sexo feminino.
Os adultos apresentam partes superiores na cor cinza escuro. As asas são largas, relativamente curtas e arredondadas. A cauda longa é barrada de branco e apresenta a ponta arredondada.
As partes inferiores são brancas, com exceção de uma faixa cinza escura no peito. As coxas são brancas, finamente barradas de preto.
A cabeça é cinza, mais pálida do que as demais partes superiores, com uma coloração cinzenta conspícua. Apresenta uma bela crista erétil com penas de diferentes tamanhos na porção occipital da cabeça. O bico em forma de gancho é robusto e de coloração cinza escura e apresenta a cere cinza escura quase preta. Os olhos são marrom escuros. Pernas e pés são amarelos. Os pés são fortes e equipados com longas garras negras.
O imaturo precisa de 4 a 5 anos para alcançar a plumagem adulta. E para cada plumagem anual o jovem apresenta pequenas variações na coloração da plumagem, no número e na largura das barras da cauda. Os imaturos mais jovens com plumagem do primeiro ano apresentam plumagem geral de coloração cinza claro e branco; esta plumagem torna-se mais escura a cada ano até atingir a plumagem do indivíduo adulto.
Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(Clements checklist, 2014).
Alimenta-se de animais grandes, como a preguiça-real, mutuns, coatás, macacos-prego e guaribas, filhotes de veados, araras-azuis, seriemas, tatus, cachorros-do-mato, iguanas e cobras. É rápido e forte em suas investidas, sendo capaz de arrancar preguiças agarradas a galhos de árvores. Há relato da captura de um macho de guariba que pesava em torno de 6,5 kg.
Faz ninho no alto das árvores maiores, como sumaumeiras e castanheiras, de onde observa tudo ao redor. O ninho, tão grande quanto o de um tuiuiú, é construído com pilhas de galhos. Põe 2 ovos cinza-esbranquiçados entre setembro e novembro, os quais pesam em torno de 110 g e têm período de incubação de 52 dias. Geralmente apenas um filhote sobrevive, podendo ocorrer cainismo, levando cerca de 5 meses para voar, e de 2 a 3 anos para se tornar adulto, dependendo dos cuidados dos pais por um ano ou mais. A espécie não se reproduz todos os anos, pois necessita de mais de um ano para completar o período reprodutivo.
Espécie rara, habita florestas primárias densas e florestas de galeria. Vive solitário ou aos pares na copa das árvores. Apesar do seu tamanho, é bastante ágil e difícil de ser visto.
Presente no Brasil em regiões florestais remotas, sobretudo na Amazônia, ou em áreas protegidas, como reservas de Mata Atlântica. Existem registros também para o cerrado e pantanal. Encontrado também do México à Argentina.
Consulta bibliográfica sobre subespécies: